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Um passo para trás

Sempre tive pavor a dar um passo para trás. Ou como diz a minha mãe, desandar o que eu já andei. Mas essa semana me peguei escrevendo um e-mail para minha (santa!) psicóloga no Brasil com as minhas preocupações e ansiedades naturais de quem já está há mais de um ano fora e naturalmente avaliando possibilidades de volta.

A expressão ‘dar um passo para trás’ acabou entrando na conversa não por eu ter desandado, mas por eu ter concluído que eu tive que sair do meu mode natural no Brasil para viver e sobreviver aos novos desafios e mudanças aqui fora. Tive que sair de mim, dar um passo para trás, para que pudesse enxergar tudo o que mudou.
Longe da minha casa, da minha vida ‘normal’ (ou rotina que vivi por tanto tempo e com meu grupo de amigos desde que nasci) acabei me readaptando. As ansiedades mudaram – elas nunca desparecem… – e hoje consigo conviver com elas numa boa. Elas não me fazem mal como  faziam. Maturidade? Pode ser.

A verdade é que parei de me preocupar com o ano que vem, com o mês que vem, com o que o pode dar errado ou certo, com o que os outros estão fazendo, com o que os outros vão dizer. Não virei rebelde, nem anarquista, nem chutei o balde. A mudança não foi de propósito. Aconteceu. E tenho quase certeza que é porque estou longe dos meus maiores motivos para tamanhas inquietudes.

Daí veio o estalo: Será que vou conseguir ser essa pessoa light quando eu voltar para casa, para o Brasil? Será que vou conseguir ser light em qualquer situação e ambiente, não importa se seja aqui em Londres ou em Marte?

O meu longo e-mail teve uma breve resposta. E bem no ponto. Ela respondeu que sim.

Quando saímos da nossa de conforto é quando conseguimos enxergar as diferentes perspectivas fora de nós mesmos. E mais, quando conseguimos por em palavras essas nossas ansiedades, medos e preocupações, fica bem mais fácil resolvê-los. Afinal, quando não conseguimos expressar o que estamos sentindo é porque  no fundo não temos idéia do que está de fato se passando com nós mesmos.

A melhor coisa, nesse caso, é dar um passo para trás. Sem medo.

Love, love,
Pauli

 

A mulher que eu quero ser

Ultimamente o POP tem falado muito no poder de ser mulher. Eu não trocaria a minha feminilidade por nada!

Um dos melhores exemplos de pessoas que também celebram o fato de ser mulher é a estilista Diane Von Furstenberg. A sigo no twitter e não tem um dia sequer que ela não tweet “seja a mulher que você quer ser!”.

E os tweets dela são os únicos que me fazem parar para pensar (ok Carpinejar, os seus também!). Quem é essa mulher que eu quero ser?

Sempre fui definida por amigos, família, professores como alguém que tem personalidade forte. O que as vezes me atrapalha um bocado porque no pacote ‘personalidade’ vem o fato de eu ser um pouco difícil, gostar das coisas a minha maneira e ser oito ou oitenta. Em cima do muro? Jamais! Mas como eu me vejo? Como você, leitora, se vê?

Difícil achar apenas uma definição, né?

A verdade é que a gente muda todo o dia para continuar sermos nós mesmos. Eu não sou a mesma pessoa que chegou a Londres há um ano apesar de ter os mesmos defeitos e as mesmas virtudes.

A mulher que eu quero ser é a mulher que eu sou hoje: tagarela, com medo zero de trabalho, eterna romântica, cheia de fé, otimista, mimada… Óbvio que tem mais. Aliás, a cada segundo a lista aumenta. ‘Culpa’ das minhas decisões.

Amanhã certamente não serei a mesma mulher que agora (nem você). Mas também tenho a certeza de que vou gostar dela.

Afinal, eu já sou a mulher que eu quero ser. Tudo mais que vier, é lucro!

Love, love,
Pauli

 

Ciclo vicioso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vai chegando perto do meu aniversário e vou ficando angustiada. Tem gente que adooooora a data. Não eu. Obvio que adoro receber mensagens carinhosas mas aí vem a peso da idade. Quem lê acha que eu faço parte da Associação Brasileira da 3a Idade. Nada disso… Para mim, ficar mais velha é lindo na teoria e na prática alheia. Eu mesma não tiro de letra.

Daí repenso como foi meu ano profissionalmente, no mestrado, num país que não o meu, com novas responsabilidades. Caminhei para frente em todas essas categorias. Aliás, o ano não poderia ter sido melhor. A única coisa que me pego fazendo repetitivamente se resume numa frase que li esses dias por aí: “dating the same person in a different body” ou, traduzindo ao pé da letra, saindo com a mesma pessoa mas em um corpo diferente.

E não sou a única.  Dia desses conversando com uma amiga, percebemos que ela também muda de paquera/namorado/rolo mas continua com os mesmos dilemas amorosos.

Cada um deles têm a sua mania, nacionalidade, credos, estão longe de serem parecidos (léguas mesmo) mas no fim do dia você se pega analisando o mesmo drama do cara anterior. No meu caso, sendo sinceríssima como você dear leitora, eles nunca moram na mesma cidade que eu. Jamais. E sabe porque? Porque meu dedo aponta justamente para aquele que não está disponível o tempo todo. E tenho motivo para isso: porque eu não quero. Talvez por medo de me envolver, falta de paciência e de maturidade… Papo para a minha santa psicóloga.

Sim, a culpa é nossa – nesse caso minha – por ficarmos correndo atrás do rabo, dando voltas sem sair do mesmo lugar. Parece o buraco negro do dating system.

Juro para mim mesma que vou zerar a minha conta do ciclo vicioso. Mas assim como a dieta que só começa na segunda, prometo que o plano entra em ação depois do meu aniversário.  Preciso de uns dias para tomar vergonha na cara…

Já mudei o perfil básico do guapo – antes saía apenas com o mesmo tipo: engomadinho de plantão – agora, vou fazer uma forcinha para escolher alguém que esteja perto de mim literalmente e no sentido figurado. Alguém com quem eu possa ter uma relação de fato.

É.. dá um medo cão de se abrir, de mostrar nossas vulnerabilidades, o rosto sem maquiagem. Mas não é disso que é feita uma relação de verdade?A individualidade constante as vezes deleta a idéia de que uma relação é feita de duas pessoas. Juntas. Na mesma sintonia.

Minha jornada para esse “ano novo”? Caminhar para frente (de mãos dadas, bien sûr) e largar esse rodamoinho amoroso para trás.

Prometo que te conto onde fui parar.

Love, love,
Pauli

A revolução digital e o retrocesso emocional

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sou viciada em Facebook, não desgrudo do meu Blackberry e não imagino o mundo antes da internet.  Mas para uma assunto eu ainda sou bem antiquada: romance.

Você conhece o guapo, ele te add no Facebook e logo te cutuca. Sim, o cutuco é aquele puxão de cabelo que você tomava do menino que gostava de você na 1a série. E aí, ele te manda um inbox. Do inbox te convida para sair por SMS. E quando você dá sorte de conhecer um tipo ‘diferente dos demais’, ele te liga pelo Skype.

Acredito que exista momento para tudo, até para SMS, inbox e Skype… (caso o fofo more numa outra cidade, hemisfério. Se ele está há 3 bairros da sua casa, que pegue o carro e venha me ver!).  Mas eu acho que não consegui acompanhar o momento em que mandar uma mensagem de texto ficou mais prático do que telefonar.

E convenhamos, o romance não é prático. Não é direto ao ponto. Romance é aquela estrada cheia de curvas, é tipo subir a serra. Que delícia me espreguiçar quando chego no topo da montanha! Que delícia ouvir a voz dele do outro lado da linha, sorrindo…

Romance não é ‘bj’ no fim da frase, ou um emoticon para um convite. Aliás, nada que me irrite mais do que emoticon. Abreviações não são para os românticos. A gente (me incluo nesse balaio porque sou a pessoa mais romântica que conheço, apesar de não parecer) quer frases intermináveis escritas à mão. Sentir a dor no punho pelo o outro que escreveu páginas por você…

Romance é a surpresa de ouvir o interfone tocar – adoro! – e escutar do porteiro que ele está lá embaixo. Sinceridade, meu coração não pula quando vejo o nome dele na minha tela do computador. Até porque ver que ele está disponível para mim e toda uma longa lista de contatos no Skype não me torna mais ou menos especial.

Especial mesmo, em tempos de tecnologia ou não, é ser a primeira a dar bom dia e a última a dar boa noite. Ao vivo e em cores.

Love, love,
Pauli

O retorno

Do alto dos meus 28 anos, alguns namorados e muitos beijos na boca no currículo, cheguei a conclusão de que homem não é tudo a mesma coisa. Graças a Deus.

Mas todos têm uma coisa em comum. Eles sempre voltam para você.

Tive que roer muita unha, chorar pitanga no colo da minha mãe (e irmã, amiga, papagaio e periquito) para perceber que existe um padrão no comportamento masculino. Mais cedo ou mais tarde, você tendo posto um ponto final na relação ou tomado um belo de um pé…não importa… ele volta a te procurar.

E aí, você que tá bem e vacinada contra o dito cujo, põe a cabeça no travesseiro e pensa, “Mas o que acontece com uma pessoa para ela levar tanto tempo para perceber o que estava ali o tempo todo: que eu sou sim especial, única e talvez, a melhor coisa que já aconteceu na vida dele?”

Resposta: delay masculino.

Quando ele se dá conta de tudo isso, o momento passou. E não é porque ele é burro, cachorro, anta (e todo o zoo), gosta de ser mal tratado e só corre atrás de quem não lhe dá valor. É porque ele, diferente da gente, não estava pronto para ter tamanha responsa.

Cara leitora, eu uma vez ouvi de um guapo que eu realmente gostava na época, que eu era loura demais, alta demais, exuberante demais e que chamava muita atenção. Pois bem, a Elke Maravilha aqui não se deixou abater.

A diferença entre nós e eles é que, quando eles estão indo com o milho, a gente já conheceu o pipoqueiro, que é um cara mais experiente, bem mais maduro e que, certamente, já teve seu momento “delay masculino” com outra. E ele provavelmente escutou da outra a mesmíssima coisa que eu disse para o gracinha que dispensou a Elke Maravilha aqui.

E ele, mais esperto que nunca, não vai mais cometer a insanidade de perder um avião (como eu ou você) por causa do tal atraso emocional.

Love, love,
Pauli

Romance em série

 

 

 

 

 

 

 

 

Ontem me peguei assistindo (só para variar) mais um repeteco de episódios doe Sex & the City. Cá para nós, impossível de cansar. E lembrei da época em que a série era novidade e assistia no meu quarto enquanto minha mãe e irmã caçula viam juntas.

Na época eu fazia o tipo Charlotte, um pouco tímida para assistir às estripulias de Samantha com a minha mãe no recinto.

E nunca entendi porque a Carrie não tinha escolhido ficar com o Aidan. Até ontem.

Quem nunca teve um Aidan para chamar de seu não vai entender o peso na consciência e a culpinha que dá dispensar um homem como ele. Gentil, cuidadoso e zero egoísta.  E de quebra, ele ainda te passa uma segurança enorme. Você sabe que ele te adora e te acha incrível porque verbaliza (coisa que muito macho por aí não faz) e demonstra de mil maneiras sem bancar o meloso. Daí você pensa, “Deus vai me castigar se eu deixar ele passar…”. Mas tem alguma coisa no Aidan que, de tão perfeito, estraga.

O que se quer é um tipo Mr. Big. Aquele que te tira o fôlego. Um cara ambicioso (e não estou me referindo só a trabalho) que só vai sossegar quando conquistar o posto de top top na sua vida. Ele é poderoso e sabe disso. Ah! (suspiros), o poder é afrodisíaco…

Um homem que não tem tempo para nhé-nhé-nhé mas que você sabe que te ama porque, apesar das idas e vindas e dos chacoalhões no meio do caminho, é ele quem segura a barra no final. E é ele quem fica.

Fica porque você o escolheu. Não porque ele foi o melhor cara que você deu a sorte de conhecer. Mas porque ele é exatamente o que você precisa. Ele é humano, perfeitamente imperfeito. Nem mais, nem menos.

Love, love,
Pauli

O livro das regras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fã #1 de Chick Lit (ou literatura para garotas), ganhei outro dia de uma amiga o The Complete Book of Rules, um livro que vende horrores para mulheres que estão desesperadas para entender como funciona o cérebro masculino. Em outras palavras, as escritoras estão milionárias.

Nunca li tamanha porcaria em toda a minha vida. E olha que eu já li MUITA coisa ruim.  Para começar, as escritoras dizem que se você não seguir todas as regrinhas básicas ditadas por elas, sua vida amorosa vai desandar. Algumas das pérolas incluem: você nunca deve iniciar o papo com ele; você é quem deve terminar o encontro, nunca ele; não fale sobre o seu trabalho ou sucesso – deixe ele brilhar; nunca o tire para dançar; não o encontre mais de duas vezes por semana…

Antes de jogar o livro na lata de lixo, olhei para meu mural. Lá tenho um cartão que diz, “Well behaved women rarely make history”. Não que você deva ser  sempre a louca do quartinho mas seguir tantas regrinhas, além de ser chato pacas, não faz sentido algum.

Ouse sim! Se arrisque, saia da sua zona do conforto e não espere (sempre) que o outro tome a iniciativa. As pessoas são diferentes. Gostam de jeitos diferentes. Demonstram de jeitos diferentes. É claro que está todo mundo careca de saber que estar sempre disponível não é a melhor das táticas. Nem ser grudenta. Muito menos gostar mais do outro do que de você mesma. Mas sabe qual é uma regra infalível para o romance ir de vento em poupa? Seja você.

Ultimamente tenho aproveitado para fazer mais o que o meu coração manda. Apesar dele já ter se enganado em diversas ocasiões (tenho histórias ótimas!), sempre acabo me arrependendo nas vezes que não o sigo. Mais do que isso, tenho aprendido (de coração) a seguir mais meus instintos. E, só para constar, assim com os meus instintos não seguem listinha de dos and dont’s, o amor também não.

As vezes, quando desobedecemos a cabeça – e as regrinhas bestas de livros idiotas – damos chances para coisas novas acontecerem. Coisas tão boas que nem mesmo os seus (e meus!) instintos previam.

Permita-se!

Love, love,
Pauli

Aula de química

Química não é uma coisa fácil. Já não era na época da escola, na questão relacionamento é ainda mais difícil.

Você conhece o cara. Flerta, ele flerta de volta. Você acha ele gatinho, não tem absolutamente tudo do seu checklist (uma barriguinha faz falta, sabia? Essa coisa de barriga sarada é chatérrima!) mas é um 9/10, é engraçado, beija bem, é gentleman mas…tem alguma coisa faltando.

Alguma coisa que você não sabe bem o que é, só sabe que está faltando. E por causa dela, o romance/saídas e tudo o que poderia vir a ser, não é. Não rola. Não vai para frente.

E você tenta. Sabe que apesar da “coisa” que está faltando, continua porque, poxa, ele é gente boa e pode ser que a “coisa” resolva aparecer.

É…é a tal da química. Aquele componente que não existe é justamente o que faz a relação pegar fogo, explodir. É a composição necessária para produzir o efeito borboleta – no estômago! Ai como é bom o efeito borboleta.

A dois, não tem nada mais triste do que a mornidão, a falta de fervor.

Daí você pensa, ‘o problema sou eu, sou eu quem sou exigente demais e nunca estou satisfeita com nada’.

Não é. Simplesmente, dessa vez, não rolou. E química é algo tão especial que, se rolasse com todo mundo, o efeito borboleta seria banal. Sem a menor importância. E eu não suportaria viver sem a expectativa e esperança de sentir isso de novo.

E como a química não pintou, você apela para matemática. ‘Vou só a +1 encontro’. Quando na verdade você está prontíssima para virar a página, dar no pé e deixar esse episódio para a história. Ou quietinho no passado imperfeito.

Next, please?

“Eu te amo porque todo o universo conspirou para que eu chegasse até você”. Paulo Coelho no O Alquimista

Love, love,
Pauli

O exercício do flerte

Jamais vou me esquecer de uma coisa que minha mãe me disse quando eu ainda era uma adolescente, “Uma mulher precisa aprender a flertar. E é necessário treino para ser uma expert”.

Ela tem razão. Eu não nasci sabendo flertar mas sou uma aluna aplicada e pratico muito! E não guardo para exercitar apenas na balada. Tenho uma amiga que é boa a beça nesse quesito. Me lembro de sair com ela, ela olhar o cara, sair andando e ele ir atrás dela. Eu me perguntava, “como ela faz isso?!”

Só para ficar claro, flertar não é se oferecer, dar em cima ou bancar a biscate. É mostrar que “pode ser que” você esteja interessada. E a palavra interesse não é sinônimo apenas de algo sexual ou romântico.

Essa mesma amiga minha (a que olhava e o cara ia atrás) me contou o segredo dela. Eu, que só tenho cara de besta mas sou bem da esperta, tratei de por em prática.

Estava na Ópera de Paris entediadérima com o passeio. Éramos um grupo de vinte pessoas e um guia bonitinho. Eu lá no meio da turistada não conseguia parar de bocejar. Até que pensei na frase da minha mãe. E cá para nós, flertar é divertido pacas. Eu tinha que arrumar uma maneira de me distrair. Parei de bocejar e fiz o que a minha amiga aconselhou: olhei fundo nos olhos do guia por uns 4 segundos, sorri, desviei o olhar, olhei de novo. E essa foi só uma das táticas que ela me ensinou. Um dia posto as outras.

O homem ficou roxo. E os vinte turistas se viraram e olharam para mim. Eu estava com a editora de uma revista feminina brasileira que ficou de boca aberta e quis saber o que diabos eu tinha feito para o homem ter blushed.

Eu ainda tenho muuuuuito o que aprender com essa história de paquera. Mas confesso que tenho tido bons resultados pelo meio do caminho. E melhor que isso, tenho dado boas gargalhadas.

Sem querer bancar a revista Nova e seu “manual da conquista”, lembre-se que flertar é super saudável e sexy. E não é só para as solteiras. Afinal, se sentir desejada e querida faz muito bem para o ego – inclusive das que já acharam o namorado dos sonhos.

Eu flerto todo o santo dia. A meta é ser expert no assunto.
E você, já flertou hoje?

Love, love,
Pauli

 

Contra a corrente

Foto Inez Van Lamsweerede & Vindooh Matadin para a Vogue Paris de abril 2011

Para quem não sabe, moro em Londres onde estou fazendo meu mestrado em Publishing, Sempre tive a oportunidade e o privilégio de poder morar em outros países. Já passei pela Itália, França e Estados Unidos.

Morar fora não é para qualquer um. Ainda mais quando não se conhece ninguém do lado de lá do hemisfério. Daí, você deve estar pensando assim, “pobre menina rica… Difícil? Difícil mesmo é cortar cana…”.

Enfim… Meu maior medo – sempre que me mudo – não é não me enturmar, ou não conseguir aprender a língua ou matéria, não encontrar lugar para morar ou passar outros tipos de apertos. Já passei por cada aventura que você nem imagina. E tirei tudo de letra.

Meu maior medo é sempre com o timing, o meu timing. Será que já estou velha para isso? Será que não está na hora de sossegar por mais tempo em um único lugar? E como vai ser com a minha vida pessoal? E a profissional?

Você vê suas amigas e seus amigos caminhando em outras direções. A grande maioria vai pela mesma estrada: trabalho legal, casamento, filhos…Todo mundo mais ou menos no mesmo barco ao mesmo tempo. E eu, não. E aí, se você é quem está indo contra a corrente, é natural que se sinta um pouco perdida e as vezes um bocadinho só.

Estou há 6 meses aqui em Londres e pela primeira vez em todas essas minhas jornadas por aí, não me sinto só e nem perdida. Muito pelo contrário. Tem tanta gente nadando contra a corrente que acho que esse é o caminho certo.

Mas vale frisar que não existe “caminho certo”. Existe o meu caminho, o seu caminho. Se estamos nadando lado a lado, melhor ainda. Se não, good luck my friend, nos vemos por aí.

E outra, não existe competição. Cada pessoa tem o seu ritmo, as coisas acontecem de acordo com o que você faz (ação e reação, xuxu), e quando têm de acontecer. Ah! Vale lembrar que um pouquinho de fé nunca fez mal a ninguém.

Quanto ao meu ritmo de vida? Posso dizer, feliz da vida, que estou acertando o passo.

E você? Nos vemos rio acima?

Love, love,
Pauli

Bully x POP

 

 

 

 

 

 

Antes mesmo de toda essa tragédia acontecer no Rio, já tinha preparado um texto sobre bullying para postar aqui no POP.

Eu já fui uma adolescente bully (daquelas que adora intimidar os colegas de classe) e também já fui bullied. Felizmente, diferente de muita gente por aí, eu não tenho trauma algum por ter sido alvo de chacotas durante o 1o grau. Na época, é claro que eu morria de chorar, me achava a pessoa mais medonha da face da terra, tinha sérios problemas de auto-estima. Mas graças a minha criação não sofri danos psíquicos.

Mas nem todo mundo tem a mesma sorte que eu de ter uma família esclarecida, unida, carinhosa e sempre tão presente na minha vida. O menino que matou aquelas crianças, por exemplo, não teve.

Não estou querendo bancar a psicóloga ou defendê-lo. Mas as cicatrizes que se pode carregar quando você é intimidado, humilhado, agredido, perseguido e discriminado diariamente, são profundas. E muitas vezes, são marcas que duram para sempre.

Hoje, olhando para trás obviamente me envergonho de ter tirado sarro daquele menino mais magrinho, daquela menina que não se encaixava nos padrões de beleza da época, de ter criado patotinhas e até inventado fofoca para poder rir com as minhas amigas. Adolescente é um bicho malvado quando quer.

Hoje, tenho um grande amigo que foi bullied por mim durante todo o 2o grau. Ele, um ser superior, não só não guarda a menor mágoa minha como não tem trauma algum daqueles tempos. E olha que de tanta raiva que ele sentia de mim na época, chegou a dizer que me empurraria das escadas para eu quebrar minhas pernas!!
Enfim…antes eu tivesse descoberto o cara gente fina que ele é. Te garanto que os nossos papos são muitos mais legais que todas as brincadeirinhas de mal gosto que eu já fiz com ele.

Bottom line: bancar o valentão e intimidar os outros é coisa de gente fraca. Muitas vezes, a gente acha que tá abafando as custas de outras pessoas e nem sabe o tamanho do mal que está causando.

Ser POP é usar a sua liderança para aproximar as pessoas, juntar turmas diferentes, e não afastá-las. E isso vale para muita marmanja por aí que já passou há tempos da adolescência.

Pensa nisso.

Love, love,
Pauli

 

Final feliz

Sou viciada no site We Heart It. Se você não conhece, pense duas vezes antes de clicar porque as chances de você também ficar viciada são enoooormes.

Meu maior “barato” é ver e rever e ver de novo as imagens que eu marquei. Depois de um tempo, apago várias porque a imagem não tem mais nada a ver com o que eu estou sentindo ou com o meu estado de espírito. Mas eu nunca tive coragem de apagar uma imagem. Até hoje. É essa aí de cima, “Todo o dia eu luto contra a vontade louca de te mandar uma mensagem ou falar com você porque penso que se você quisesse falar comigo, você o faria”.

Cada vez que olhava para ela, a ficha caía.

Enfim, deletei a mensagem porque pela 1a vez, hoje, quer dizer, a partir de hoje, eu não vou precisar mais ler a mensagem do We Heart It para a ficar cair. Again. E sabe porque? Porque a vontade de mandar uma mensagem passou, a vontade de saber do outro, por onde anda, o que está fazendo, se por acaso ainda pensa em mim, passou. E foi tipo Miojo, instantâneo. Simplesmente passou.

Foi vendo uma outra imagem do We Heart It que o estalo veio. I am kind of a big deal. Quer dizer, todas nós somos. Então é o seguinte, mensagem de texto é muuuuito pouco. Tipo migalha. E cá para nós, eu não sou de me satisfazer com migalha. Você é?
E como eu acredito em final feliz, encaro o apagão daquela imagem lá de cima como um desfecho bem happy. Porque eu estou feliz.

Love, love,
Pauli

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