Um passo para trás
19/10/2011

Sempre tive pavor a dar um passo para trás. Ou como diz a minha mãe, desandar o que eu já andei. Mas essa semana me peguei escrevendo um e-mail para minha (santa!) psicóloga no Brasil com as minhas preocupações e ansiedades naturais de quem já está há mais de um ano fora e naturalmente avaliando possibilidades de volta.
A expressão ‘dar um passo para trás’ acabou entrando na conversa não por eu ter desandado, mas por eu ter concluído que eu tive que sair do meu mode natural no Brasil para viver e sobreviver aos novos desafios e mudanças aqui fora. Tive que sair de mim, dar um passo para trás, para que pudesse enxergar tudo o que mudou.
Longe da minha casa, da minha vida ‘normal’ (ou rotina que vivi por tanto tempo e com meu grupo de amigos desde que nasci) acabei me readaptando. As ansiedades mudaram – elas nunca desparecem… – e hoje consigo conviver com elas numa boa. Elas não me fazem mal como faziam. Maturidade? Pode ser.
A verdade é que parei de me preocupar com o ano que vem, com o mês que vem, com o que o pode dar errado ou certo, com o que os outros estão fazendo, com o que os outros vão dizer. Não virei rebelde, nem anarquista, nem chutei o balde. A mudança não foi de propósito. Aconteceu. E tenho quase certeza que é porque estou longe dos meus maiores motivos para tamanhas inquietudes.
Daí veio o estalo: Será que vou conseguir ser essa pessoa light quando eu voltar para casa, para o Brasil? Será que vou conseguir ser light em qualquer situação e ambiente, não importa se seja aqui em Londres ou em Marte?
O meu longo e-mail teve uma breve resposta. E bem no ponto. Ela respondeu que sim.
Quando saímos da nossa de conforto é quando conseguimos enxergar as diferentes perspectivas fora de nós mesmos. E mais, quando conseguimos por em palavras essas nossas ansiedades, medos e preocupações, fica bem mais fácil resolvê-los. Afinal, quando não conseguimos expressar o que estamos sentindo é porque no fundo não temos idéia do que está de fato se passando com nós mesmos.
A melhor coisa, nesse caso, é dar um passo para trás. Sem medo.
Love, love,
Pauli














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